À memória de Paulo Mendes da Rocha

Paulo Sérgio Pinheiro

24.05.2021

Paulinho Mendes da Rocha. Por que os bons nos abandonam logo nessa hora  trágica, em que precisamos tanto deles? Conheci Paulinho graças a Severo Gomes e Fernando Millan. Passei a encontrá-lo sempre, e sua mulher Helene, no antigo restaurante Pandoro, com aquele formidável bar de alumínio.

Paulo, mais do que o arquiteto celebrado, com o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, mais  o Pritsker, o Nobel da arquitetura, e a medalha de ouro do Real Instituto de Arquitetos Britânicos, era um grande causeur, era de uma elegância natural na fala e no estar 

Suas entrevistas eram cada uma, obra em si se fazendo. com o fio de meada para todos os temas que se entrecruzavam m e se entrecortavam em configurações inesperadas e originais.

A última exposição que vi da sua obra foi em 2017, em Genebra (Suíça). Passei horas sentado, ouvindo suas entrevistas em vídeos que ampliavam qualquer maquete de casa, móveis ali à vista. Era a presença ideal e fundamental para toda festa, um elo com Severo.

Paulinho era irresistível, sua fala era clara, límpida, erudição dissolvida na emoção e no entusiasmo pela cidade e pelo Brasil que conta, pelas cidade no mundo.

Recém-chegado, vindo de Paris, ao meu exílio do Rio em São Paulo, descobri, antes de encontrar Paulinho, a casa Millan - e sua escadaria mágica, que privilégio! - na Circular do Bosque, com Matilde e  Fernando Millan, e Nando, filho deles, e meu aluno na Unicamp.

Sua casa no Butantã era um encantamento envolvente, poder frequentá-la uma dádiva.

Sua casa no Butantã era um encantamento envolvente, poder frequentá-la uma dádiva.

Saber que Paulinho estava aqui em São Paulo e poder revê-lo a cada retorno dava-me a tranquilidade de ter uma referência fundamental ali em Higienópolis, ao alcance. Vai ser terrível não ter mais essa certeza da sua magnificente e generosa presença nas nossas vidas, de Ana Luiza, Daniela, Marina, André e minha. Beijos e abraços aos filhos Renata, Guilherme, Paulo, Pedro, Joana e Naná. E à queridíssima Helene.