Os indígenas podem não ter dinheiro, mas não são pobres. E são hoje guardiões de nosso futuro. - Manifestação da Comissão Arns

Margarida Genevois recebe prêmio Eny Moreira de direitos humanos

23 Jul 2026, 9:45 premio eny margarida 2 Foto: Divulgação

A sócióloga Margarida Genevois, presidente de honra da Comissão Arns, foi homenageada com o Prêmio Eny Moreira de Direitos Humanos, reconhecimento concedido a personalidades cuja trajetória é marcada pelo compromisso com a promoção da dignidade humana, da democracia e da justiça social.

O prêmio foi recebido por Maria Victoria Benevides, ex-presidente da Comissão Arns, em cerimônia realizada durante a 8ª edição do Fórum da Rede do Bem, que aconteceu dia 22 de julho, em São Paulo, reunindo representantes de organizações da sociedade civil para uma série de debates e palestras sobre os desafios do Terceiro Setor.

Com uma história profundamente ligada à resistência contra as violações de direitos humanos durante a ditadura militar, Margarida Genevois tornou-se uma das vozes mais respeitadas na luta pela memória, verdade e justiça. Sua atuação esteve diretamente associada à Comissão Justiça e Paz de São Paulo, organização criada sob a liderança do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns para denunciar casos de tortura, desaparecimentos forçados e perseguições políticas durante o regime militar.

Ao longo de sua trajetória, Margarida também presidiu a Comissão de Justiça e Paz, ampliando o alcance das ações da entidade em defesa de grupos vulneráveis, do combate às desigualdades e da promoção de uma cultura de paz e respeito aos direitos fundamentais. Ao receber a homenagem, Maria Victoria reafirmou o legado de Margarida, construído ao longo de décadas de atuação ética, corajosa e comprometida com os valores humanitários.

A advogada Eny Moreira teve papel fundamental na luta pela democracia durante a ditadura militar brasileira. O projeto “Brasil: Nunca Mais” é considerado, até hoje, o mais amplo levantamento sobre a prática de tortura e outras violações de direitos pelo regime militar. Desenvolvida pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela Arquidiocese de São Paulo, a iniciativa impediu que o compilado de processos judiciais de crimes políticos se perdesse com o fim da ditadura. O resultado foi a publicação de um livro, em 1985, que expôs à população brasileira a gravidade dos crimes cometidos pela repressão militar.