Missão aos EUA amplia apoio internacional à integridade das eleições brasileiras
5 Ago 2026, 9:17
Visita da comitiva à Obervação Eleitoral da OEA - Foto: Divulgação
A missão de organizações da sociedade civil brasileira a Washington e Nova York encerrou sua agenda de reuniões com a avaliação de que ampliou a articulação internacional em defesa da democracia e da integridade das eleições brasileiras de 2026. Entre os dias 20 e 24 de julho, representantes de 15 entidades participaram de encontros com parlamentares norte-americanos, representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), integrantes da Embaixada do Brasil, da missão brasileira junto às Nações Unidas e organizações da sociedade civil dos Estados Unidos.
Organizada pelo Washington Brazil Office (WBO), a missão deu continuidade ao diálogo internacional iniciado antes das eleições brasileiras de 2022. Desta vez, a agenda ocorreu em um contexto político diferente, marcado pela mudança de governo nos Estados Unidos, concentrando os esforços em reuniões com parlamentares, organismos internacionais e entidades da sociedade civil.
Um dos principais objetivos da comitiva foi reforçar a importância de que a comunidade internacional reconheça prontamente o resultado das eleições brasileiras de 2026, independentemente do candidato vencedor, como ocorreu após o pleito de 2022.
"A defesa da democracia exige compromisso permanente. Viemos reafirmar a importância de que o resultado das urnas seja respeitado e reconhecido pela comunidade internacional, fortalecendo a confiança nas instituições democráticas brasileiras", disse Paulo Vannuchi, membro da Comissão Arns e integrante da comitiva.
Durante os encontros, parlamentares norte-americanos manifestaram preocupação com a preservação da democracia em ambos os países e demonstraram disposição para acompanhar o processo eleitoral de 2026, denunciando eventuais interferências do governo Trump nas eleições brasileiras.
Outro eixo da agenda foi o diálogo com a Organização dos Estados Americanos. Nas reuniões, representantes da OEA reafirmaram que a missão de observação das eleições brasileiras deve somar 90 especialistas independentes e terá caráter exclusivamente técnico, seguindo os protocolos adotados pelo organismo em processos eleitorais de seus Estados-membros.
A programação também incluiu reuniões com representantes da Embaixada do Brasil em Washington, da missão brasileira junto às Nações Unidas, da Open Society Foundations, do Washington Office on Latin America (WOLA), da poderosa central sindical AFL-CIO e da equipe de relações internacionais da Prefeitura de Nova York, ampliando o intercâmbio entre organizações brasileiras e parceiros internacionais na agenda de democracia e direitos humanos.
Para Vannuchi, a missão consolida uma rede de cooperação internacional construída desde 2022 e fortalece o diálogo entre instituições comprometidas com a defesa do Estado Democrático de Direito.
"Voltamos ao Brasil com a percepção de que há interlocutores importantes acompanhando a situação brasileira e dispostos a defender a integridade do nosso processo eleitoral. Ouvimos de alguns deles informações preocupantes sobre a intromissão do Departamento de Estado e de Marco Rubio nas recentes eleições da Colômbia e de outros países”, disse Vannuchi. “A democracia é um compromisso compartilhado entre países que valorizam o Estado de Direito, e esse diálogo internacional será cada vez mais importante nos próximos meses”, completou.
Além da Comissão Arns, estiveram representadas na comitiva as seguintes entidades: APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), CUT (Central Única dos Trabalhadores), Direitos Já! Fórum pela Democracia, GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), Instituto Futuro, Instituto Marielle Franco, Instituto Vladimir Herzog, IP.rec (Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife), LAPIN (Laboratório de Políticas Públicas e Internet), Libera, MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Odara – Instituto da Mulher Negra, Plataforma CIPÓ e WBO (Washington Brazil Office).