Os indígenas podem não ter dinheiro, mas não são pobres. E são hoje guardiões de nosso futuro. - Manifestação da Comissão Arns

Nossa homenagem a Amelinha Teles

15 Set 2026, 18:14 amelinha teles Foto: Divulgação

O sorriso suave que não se apagou, a figura miúda capaz de nutrir uma incansável guerreira foram as respostas mais altivas da mineira Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, aos atos bárbaros infligidos a esta escritora e ativista nos porões da ditadura. Militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Amelinha lutou contra a repressão do regime militar. Foi presa e torturada por Carlos Alberto Brilhante Ustra, que após uma sessão de espancamento trouxe seus dois filhos pequenos para vê-la ensanguentada.

Ao ser libertada, Amelinha transformou o luto em luta coletiva. Em 1984, fundou a União de Mulheres de São Paulo, impulsionando o movimento feminista. Em 1988, integrou o histórico “Lobby do Batom”, para garantir direitos femininos na Constituição Brasileira. Em 1994, idealizou as Promotoras Legais Populares (PLPs), levando a mulheres das periferias o conhecimento do Direito para que pudessem defender suas próprias vidas.

Em 2005, ao lado da família, moveu uma ação judicial histórica. Três anos depois, em 2008, o Judiciário brasileiro confirmou sua denúncia: Ustra tornou-se o primeiro agente do Estado oficialmente condenado como torturador.

Amelinha seguiu resgatando a história do país, atuando na Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva” e na Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

Ela nos deixou hoje, aos 81 anos. Ficam as saudades e o exemplo de coragem na defesa dos direitos humanos. Nossas condolências aos familiares e amigos.