"Não tenho a menor dúvida que estamos lutando contra o golpe que está para acontecer" - JOSÉ CARLOS DIAS, presidente da Comissão Arns

Comissão Arns participa de comitiva para alertar sobre riscos à democracia no Brasil

28 Jul 2022, 10:07 comitiva brasileira com sanders

O ex-ministro Paulo Vannuchi, membro fundador da Comissão Arns e integrante da comitiva do Washington Brazil Office (WBO), está em Washington, nos Estados Unidos, até 28 de julho, para uma série de encontros com políticos e representantes de instituições norte-americanas para alertar sobre as ameaças à democracia e ao sistema eleitoral do Brasil.

As organizações clamam por apoio internacional e reconhecimento para o resultado das eleições de outubro e para a confiabilidade do sistema eleitoral em meio ao clima de violência política no Brasil. Além da Comissão Arns, participam da comitiva outras 18 organizações da sociedade civil brasileira.

A comitiva deu início à agenda de encontros na segunda-feira (25) em um encontro com organizações da sociedade civil americana e instituições estrangeiras sediadas em Washington, como Greenpeace e Brazil Foundation.

Na manhã de terça-feira (26), Vannuchi participou como um dos porta-vozes da uma reunião com o Departamento de Estado americano e, mais tarde, foi recebido na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Também esteve presente, durante a tarde, em reunião com o senador Bernie Sanders e em encontro com a Missão Diplomática da Argentina.

O resultado, segundo Vannuchi, foi “extremamente positivo”, com uma manifestação “consistente” de confiança, por parte do Departamento de Estado, da Casa Branca e de parlamentares, nas instituições e no sistema eleitoral brasileiro. Sanders agradeceu “a coragem da comitiva” de fazer esse enfrentamento e a “aula sobre Brasil” por parte dos integrantes. “Disse ao senador que no Brasil o presidente se recusou a implementar uma campanha de vacinação contra a Covid-19. Só conseguimos dar início às vacinas porque ele foi muito pressionado pelo judiciário e pela sociedade civil. O número de mortos foi muito mais alto do que poderia ter sido”, contou Vannuchi.

Já na quarta-feira (27), a Comissão Arns se reuniu com vários parlamentares, inclusive, com o deputado Hank Johnson, líder do Black Caucus. Em seguida, participou do evento Atlantic Council. O seminário contou com as presenças de nomes como Laura Chinchilla, ex-presidente da Costa Rica que atuou como Chefe da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) para as Eleições Gerais do Brasil, em 2018. A jornalista Patrícia Campos Mello e o presidente do Cebrap, Marcos Nobre, também participaram das discussões.

Os trabalhos da comitiva prosseguem, com encontros previstos com embaixadores da América Latina, com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e com deputados, correspondentes e imprensa.

“Estamos levando a mensagem de que a democracia de qualquer país do mundo importa para todos. Mas no Brasil temos a mais vasta fronteira de devastação ambiental. E essa proteção ambiental se dá, em grande parte, pela fiscalização e pelos povos indígenas. A proteção aos povos indígenas deve ser uma prioridade para garantirmos um estado democrático”, explica Vannuchi.

As 19 organizações que compõem a comitiva, além da Comissão Arns, são as seguintes: ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos), APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), Artigo 19, Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), Conectas, Geledés, Greenpeace Brasil, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Marielle Franco, Instituto de Referência Negra Peregum, Instituto Vladimir Herzog, Pacto pela Democracia, Transparência Internacional, Uneafro e 342 Artes.